Ontem
eu estive na câmara municipal participando da sessão, exercendo meu
papel de cidadão e acompanhando a tramitação do projeto polêmico
que aumenta os vencimentos do Prefeito, Vice, Vereadores e
Secretários. Depois de uma exaustiva fala do deputado José
Bonifácio com mais de meia hora, onde a maior parte do tempo foi
utilizado para fazer propaganda de seu mandato, e por sinal, teve seu
tempo de fala privilegiado pelo Presidente da Câmara, falando mais
do que todos que o antecederam, finalmente depois de protestos,
pedimos a fala, me concederam o microfone e comecei a falar, mas ao
mesmo tempo o deputado insistentemente me interrompia, não me
deixava prosseguir com minha fala.
Não
deixou o debate acontecer, então com a sessão já tumultuada o
presidente resolveu encerrá-la. Como um menino que não sabe perder,
saiu recolhendo os microfones, os colocou de baixo do braço e tratou
de encerrar a partida porque a bola era dele. Nos calaram.
Muitos
Falam que o povo não participa ativamente da vida política do
município e das sessões da câmara, no entanto, vejam bem como são
conduzidos os trabalhos naquela casa: desde segunda feira, o povo tem
ido e se manifestado, lotando o auditório da câmara, os vereadores
discutiram o projeto mas em nenhuma das sessões abriram a fala para
o povo, para que pudessem discutir o projeto, fazerem sugestões,
dialogarem com as pessoas e tentar de forma democrática e
participativa chegarem a um consenso; o que houve desde o início da
semana, foi intransigência, autoritarismo, intimidação e
desrespeito às pessoas que foram para a "casa do povo" com
o intuito de participar, se manifestar e contribuir com o processo
democrático. Dessa maneira a câmara cria uma barreira para a
população, os vereadores que são em maioria da situação
desprezam qualquer crítica ou manifestação contrária as suas.
A
presidência da câmara nesses dias chamou e deu a palavra aos seus
aliados, ao prefeito e ao deputado, deixando o povo sem voz e sem
vez. Os políticos de Tocantinópolis, com pouquíssimas exceções,
não aprenderam até hoje o que é democracia, o que é gestão
democrática, o que é ouvir o povo e dialogar com a população. Ao
contrário, se armam e vão logo para o embate sempre se achando
superiores. Acham que tudo é uma questão de intriga da oposição,
não estão acostumados com o debate aberto, franco, direto e
democrático. Tentam Ignorar pressão popular e o controle social que
povo tenta exercer.
O
deputado Bonifácio chegou a dizer que acreditava que a maioria da
população de Tocantinópolis era a favor do aumento dos
representantes. E ainda desprezou a manifestação da população,
dizendo que a interrupção na tramitação do projeto não tinha
nada a ver com os protestos e participação popular pressionado nas
sessões. Além disto falou outros tantos impropérios na tentativa
de justificar o aumento do salário do filho eleito. O novo prefeito
já começa mal, pois se tivesse bom senso já teria se manifestado
contra o projeto. O projeto como tem sido apresentado é uma afronta
à população. Os Vereadores querem passar a receber 7000 mil para
participarem de 5 sessões por mês na câmara, que duram cerca de
duas horas, sem bater o ponto todos os dias como a maioria dos
trabalhadores fazem, e acham isso justo. Tudo isso é um escárnio
contra o povo. Deveriam seguir o exemplo de Gurupi e propor a redução
de seus salários e deixarem de tratar o cargo como cabide de
emprego.
Deveriam
reajustar de forma justa os salários dos funcionários do município
ou usarem o mesmo percentual que dão para os professores para servir
de parâmetro na hora de reajustarem os seus vencimentos.
Infelizmente a maioria dos vereadores não tem compromisso moral com
o povo. Tudo isso é uma grande vergonha.
Texto: Giano Guimarães
Foto:
ocupauft
