Provocados pelo dia 13 de Maio, os câmpus de Porto Nacional e Tocantinópolis preparam uma programação que propõe uma reflexão acerca da data. Normalmente referenciada nos livros de história como o Dia da Abolição da Escravatura, o movimento negro se apropria da data em forma de luta, contra o racismo e em prol da valorização da cultura negra. De hoje (11), até a segunda-feira (16), os câmpus de Porto Nacional e Tocantinópolis discutem a temática, com programação diversificada.
O Núcleo de Estudos e Pesquisas da África e dos Afro-Brasileiros (NEAF) é responsável pela programação em comum nos dois câmpus, que tem como tema "O 13 de Maio na memória coletiva Afro-brasileira: ambiguidades e tensões". A palestra será ministrada pela professora Flávia Rios, da Universidade Federal de Goiás (UFG).
Em uma breve conversa antes de sua chegada ao Tocantins, Flávia Rios fala sobre a palestra e a data:
A palestra versará sobre os significados do 13 de maio do pós-abolição até a atualidade, destacando as transformações do sentido de liberdade e sublinhando os desafios e as conquistas das formas de organização política dos afro-brasileiros, a exemplo das legislações vigentes e da implementação de políticas públicas voltadas para o combate ao racismo na área educacional.
UFT Oficial: Qual a importância de não se comemorar o 13 de maio (em referência ao dia da abolição da escravatura) para o povo negro?
O treze de maio tornou-se uma data de reflexão sobre as desigualdades e o preconceito racial. Entidades e organizações culturais e políticas do Brasil passaram a ver essa data como uma das ocasiões propícias para organizar eventos voltados à crítica do significado histórico dessa efeméride, chamando a atenção do que ainda é necessário na sociedade para superar o racismo. Portanto, não se trata de comemorar a abolição, mas de refletir sobre aquele processo histórico de ruptura com a escravidão, sem qualquer medida estatal de inserção dos negros e seus descendentes na nova ordem socioeconômica do Brasil moderno.
Câmpus de Porto Nacional
O Câmpus de Porto Nacional , inicia nesta quarta-feira (11), uma serie de reflexões a cerca do dia 13 de Maio. As discussões abordam 'o dia nacional de luta contra o racismo', 'saúde em comunidades quilombolas', 'Territorialidade quilombola' e "Proibicionismo e racismo: Vulnerabilidades cruzadas". A partir do dia 13 a programação se amplia e chega até o centro da cidade, na praça do Centenário. O dia todo será composto por apresentações musicais, dança, roda de capoeira, poesia e entre outros. O evento é integrado com a II Feira da Cultura Negra, e conta com palestras, oficinas, festival de filmes, e apresentações culturais, sendo que toda a comunidade pode participar.
"O dia 13 de maio é uma data para refletir sobre o que foi o processo de abolição e seus desdobramentos, mas também para celebrar a cultura negra", conta o idealizador da Feira da Cultura Negra, Éverton dos Andes. Ele ainda explica que o evento está na segunda edição, e que outros detalhes sobre a edição anterior podem ser conferidos na revista AfroBrasil, disponível online aqui.
Confira o cronograma completo da programa de Porto Nacional:
Dia 11/05
19h - Palestra "O 13 de Maio na memória coletiva Afro-brasileira: ambiguidades e tensões"
Palestrante: Flávia Rios (UFG)
Dia 12/05
8h30- Mesa-redonda "Saúde em comunidades quilombolas". Parceria entre Curso Ciências Biológicas UFT, ITPAC e AFETO.
15h- Afro Vídeo Festival
19h30 - Mesa-redonda: "Territorialidade Quilombola"
Dia 13/05
Feira da cultura Negra, durante todo o dia na praça Centenário de Porto Nacional.
Dia 16/05
19h - Palestra "Proibicionismo e racismo: Vulnerabilidades cruzadas"
Câmpus de Tocantinópolis
Dia 13/05
Palestra "O 13 de Maio na memória coletiva Afro-brasileira: ambiguidades e tensões"
Palestrante: Flávia Rios (UFG)
