Tocantinópolis
tem uma história rica que contabiliza 158 anos, fora a história
anterior proveniente do povo Apinajé, que é pouco conhecida. Nesse
percurso, a cidade acumulou não apenas fatos que ficaram marcados no
tempo, mas também uma carga cultural extremamente importante
constituída através da formação de seu povo, com a mistura de
várias culturas. Além de formar esse jeito próprio de viver, com
costumes singulares e um sentimento de pertencimento a esse lugar, a
cidade no decorrer de sua história fez surgir vários personagens
notórios, fatos e acontecimentos de grande relevância regional na
política, economia e cultura.
Tocantinópolis
é berço de Escritores, Poetas, Músicos, Artesãos, Juristas,
Professores, políticos e Religiosos de grande envergadura, como
Aldenora Alves Correa, Belinha Neves, Padre João de Sousa Lima,
Darcy Coelho, Darcy Marinho, Pedro José Cipriano, Francisco Queiroz,
Professor José Carneiro de Brito, entre outros grandes filhos desta
terra.
As
atividades culturais no decorrer do tempo, algumas resistindo outras
não, foram se tornando parte do cotidiano das pessoas deste lugar. O
divino, a dança e musica do Salambisco, as quadrilhas e festas
juninas, as serestas, o artesanato, a pesca artesanal e a cultura
ribeirinha, a poesia popular, a cultura e arte indígena, tudo isso e
muitos outros elementos formam de fato a cultura desse chão, que tem
sido em grande parte desprezada.
Infelizmente
tanto a história quanto a cultura da cidade são imensamente
desprestigiadas. A gestão municipal não tem um projeto genuíno e
consistente que realmente fomente e promova a cultura e resgate a
história de Tocantinópolis. Todos os anos o que vemos é mais do
mesmo. É importante que se faça uma ressalva para reconhecer o bom
trabalho que tem sido feito com as festas juninas no mês de junho,
mas a cultura Tocantinopolina não se resume unicamente a isso, como
mencionei acima.
Durante o
mês de julho pouco se vê artistas locais se apresentando e a eles
nenhuma notoriedade é dada. A cidade que num passado não tão
distante ja foi palco de festivais de musica regional, há anos não
promove um evento como este. Concursos literários, concursos
gastronômicos de comidas típicas, danças locais, feira de
artesanato e arte popular não são realizados. O recurso gasto para
pagar um único cantor conhecido nacionalmente poderia ser empregado
na realização de um grande projeto de fomento à cultura local com
qualidade, prestigiando os artistas de nossa terra e região, com
certeza agradando ao publico também. Mas para isso, é importante
que se possa usar a criatividade, conhecimento, informação,
inovação e diálogo com quem faz cultura no município, e até
mesmo com o campus da UFT que poderia ajudar neste sentido, já que
dispõe de um curso com habilitação em artes e música que conta
com vários professores ligados diretamente à essas áreas.
No inicio
da gestão municipal de 2008 quando assumiu o atual gestor, o prédio
reformado pela gestão anterior com a finalidade de abrigar um Centro Cultural que fica
onde antigamente funcionava o Mercado municipal foi
inaugurado, a princípio naquele local pensado para essa finalidade,
deveria ser um espaço para acolher artesãos onde eles pudessem vender e expor sua arte, (pinturas, artesanato do babaçu e outras matérias primas
regionais, esculturas, literatura, arte indígena e etc...), lugar para expor um
pouco da história da cidade, além de servir como centro de promoção
da cultura com espaço para pequenas apresentações e eventos de
natureza cultural. Seria um local de referência para cultura da
cidade, onde até mesmo as escolas poderiam tirar proveito desse
espaço. Local que também seria de grande importância para o
turismo.
Atualmente,
esse lugar que deveria funcionar com esse propósito, abriga um
Centro de Inclusão Digital, que também é de grande importância,
mas que na minha opinião está no lugar errado. A gestão deveria
ter se esforçado para alocar esse importante centro de formação em
um lugar devidamente apropriado, tendo em vista, que o antigo mercado
não foi reformado para essa finalidade. E é evidente que nesses
oito anos de gestão, recursos suficientes já entraram no município
para resolver essa questão. Mas a cultura não é encarada da forma
como deveria.
Outro
grande erro foi se desfazer de um prédio muito bem localizado no
centro da cidade que foi reformado e devidamente adaptado, com espaço
suficiente para dar lugar a Biblioteca municipal. Hoje a biblioteca
funciona no antigo mercado em local inapropriado com espaço
insuficiente e mal distribuído. Tudo isso, mostra sem dúvida
alguma, que educação e cultura não são priorizadas. Falta visão,
espirito inovador, apreço pela história, compromisso com a cultura
e educação, falta cultura à quem administra esta cidade. Essa é
uma constatação bem evidente.
Ruas,
praças, quadras, obras de infraestrutura são indiscutivelmente
importantes, mas uma sociedade sem arte, cultura e educação de
qualidade, provavelmente estará fadada à estagnação e a problemas
de toda natureza. Uma sociedade que não valoriza, nem conhece sua
própria história, seus personagens e sua formação, perde em todos
os sentidos. Perde a oportunidade inclusive de construir uma nova
história eliminando os tantos erros cometidos pelas gerações
anteriores.
Ao
próximo gestor, pois esse mandato já está chegando ao fim, fica o
pedido deste cidadão e de muitos outros que compartilham comigo do
mesmo pensamento: Que transforme o antigo mercado no Centro Cultural
que deve ser, pois a cidade merece. E que também construa ou adapte
um prédio apropriado para o estabelecimento da Biblioteca Municipal de
nossa cidade. A cultura, o povo de Tocantinópolis e os turistas certamente serão prestigiados e o município ganhará muito com
isso.
Giano Guimarães