O que você espera de um candidato a prefeito? Eu particularmente,
espero que seja alguém capacitado, preparado e que saiba falar com
propriedade sobre os temas que envolvem o cotidiano do município.
Alguém que demonstre ter conhecimento mínimo de gestão pública
nas áreas mais importantes, como saúde, educação, moradia,
assistência social, funcionalismo e orçamento.
Alguém que também demonstre segurança ao apresentar propostas a
uma plateia. Acho que isto não é exigir muito de um candidato que
pretende administrar um município de 23 mil habitantes e que terá a
responsabilidade de gerir milhões em recursos da melhor forma
possível para o bem-estar da comunidade.
Talvez, por um período de um mês, com uma boa assessoria e um
pouco de estudo, dá pra não fazer feio, e aprender o suficiente
para participar de um debate ou responder às perguntas que tratam
inclusive do próprio plano de governo. Dito isto, agora vamos ao que
interessa.
Do dia 19 a 23 de setembro de 2016, a comissão em prol da criação
da UFNT, composta por membros da UFT, promoveu a apresentação dos
candidatos à prefeitura de Tocantinópolis, onde cada dia, um
candidato tinha até trinta minutos para apresentar suas propostas
sobre educação e depois era sabatinado com perguntas feitas pelos
cidadãos presentes no auditório da Universidade.
Todos os cinco candidatos marcaram presença e expuseram suas
propostas para a educação do município, sendo submetidos às
perguntas, conforme acordado antes. Uma coisa em comum, pôde-se
perceber entre todos candidatos, sem exceção: "o despreparo",
me perdoem pela franqueza.
Sinto dizer, mas na minha opinião, como de outras pessoas, nenhum
dos cinco candidatos cumprem os requisitos que foram citados logo no
início deste texto. Todos eles mostraram não estarem bem
preparados, pois demonstraram falta de conhecimento e insegurança em
várias de suas falas. Nenhum demonstrou conhecer o plano municipal de educação.
As Respostas dadas às perguntas eram quase sempre vagas e sem
consistência, cometiam equívocos ao responder algumas questões e
alguns temas atuais eram desconhecidos. Alguns candidatos ainda usaram o tempo para fazer diversas críticas a atual gestão, algo inevitável diante dos problemas que a educação municipal enfrenta.
O evento acontecido na UFT nos deu a clareza de como é o perfil e
nível dos candidatos. Claro que as regras eleitorais não são tão
exigentes, e os candidatos não precisam saber de tudo. Na verdade,
não precisam saber de nada. Mas enquanto candidatos e diante do
povo, eles têm o dever de estarem à altura da responsabilidade que
exige um cargo de prefeito e de vereador. Parece que a maioria dos
candidatos não se preocupa em estudar as questões que envolvem a
cidade para refletir soluções reais e concretas. Tudo que é feito
no processo eleitoral, nada mais é do que uma incessante e ávida
busca pela oportunidade de gerir os recursos do município. As
necessidades da cidade ficam em segundo plano para muito deles. Esta
é uma análise do ponto de vista das falas dos candidatos, dos seus
discursos, da retórica e de tudo que apresentaram no evento.
É evidente que uns se sobressaíram a outros, e quem participou
pôde tirar suas conclusões. Dizer quem foi o melhor é uma tarefa
subjetiva, e para ser justo seria preciso analisar um por um e
comparar as propostas. Eu como eleitor, tirei minhas conclusões,
mesmo tendo a certeza de que não são os candidatos ideais,
possivelmente votarei em um deles.
Em se tratando dos programas de governo apresentados por todos os
candidatos, e disponíveis no site do TRE, no quesito educação, é
visível que existem programas melhores que outros. No plano de
governo do candidato Paulinho, sequer, consta a palavra educação,
consequentemente não há nenhuma proposta para este tema, tanto é,
que o candidato foi o que menos usou do tempo para falar de suas
proposições. O candidato Eurivaldo elenca várias proposições
relevantes para educação do município, mas deixa de fora,
propostas específicas para os professores. Já o plano de governo da
candidata Leolinda aponta algumas proposições, mas de maneira muito
superficial. O candidato Roberlan Cokim faz uma extensa lista de
proposições para a educação em seu plano de governo, e é o único
a incluir a reestruturação do plano de cargos e carreiras dos
professores e a democratização do processo para escolha dos
diretores das escolas. E por último, o candidato Professor Ednaldo,
escreveu em seu plano uma breve proposição para a educação, mas
omitiu várias questões importantes que poderia propor.
É importante que cada cidadão, por si mesmo, verifique o plano de
governo de cada candidato, que avalie suas propostas, que busque
informações sobre como se portam os mesmos e que veja o discurso de
cada um dos elegíveis, para que então, munidos de elementos
substanciais façam sua escolha, ou nenhuma.
Apensar da minha crítica, desejo ao futuro gestor boa sorte e que
faça um bom mandato. Espero que honre os votos de seus eleitores e
daqueles que não o elegeram, espero que governe para todos os
munícipes sem distinção alguma e que seja transparente e
democrático em sua gestão.
Giano Guimarães
