terça-feira, 27 de setembro de 2016

Tocantinópolis: A carêcia de bons candidatos à Prefeitura Municipal

O que você espera de um candidato a prefeito? Eu particularmente, espero que seja alguém capacitado, preparado e que saiba falar com propriedade sobre os temas que envolvem o cotidiano do município. Alguém que demonstre ter conhecimento mínimo de gestão pública nas áreas mais importantes, como saúde, educação, moradia, assistência social, funcionalismo e orçamento.
Alguém que também demonstre segurança ao apresentar propostas a uma plateia. Acho que isto não é exigir muito de um candidato que pretende administrar um município de 23 mil habitantes e que terá a responsabilidade de gerir milhões em recursos da melhor forma possível para o bem-estar da comunidade.
Talvez, por um período de um mês, com uma boa assessoria e um pouco de estudo, dá pra não fazer feio, e aprender o suficiente para participar de um debate ou responder às perguntas que tratam inclusive do próprio plano de governo. Dito isto, agora vamos ao que interessa.
Do dia 19 a 23 de setembro de 2016, a comissão em prol da criação da UFNT, composta por membros da UFT, promoveu a apresentação dos candidatos à prefeitura de Tocantinópolis, onde cada dia, um candidato tinha até trinta minutos para apresentar suas propostas sobre educação e depois era sabatinado com perguntas feitas pelos cidadãos presentes no auditório da Universidade.
Todos os cinco candidatos marcaram presença e expuseram suas propostas para a educação do município, sendo submetidos às perguntas, conforme acordado antes. Uma coisa em comum, pôde-se perceber entre todos candidatos, sem exceção: "o despreparo", me perdoem pela franqueza.
Sinto dizer, mas na minha opinião, como de outras pessoas, nenhum dos cinco candidatos cumprem os requisitos que foram citados logo no início deste texto. Todos eles mostraram não estarem bem preparados, pois demonstraram falta de conhecimento e insegurança em várias de suas falas. Nenhum demonstrou conhecer o plano municipal de educação. As Respostas dadas às perguntas eram quase sempre vagas e sem consistência, cometiam equívocos ao responder algumas questões e alguns temas atuais eram desconhecidos. Alguns candidatos ainda usaram o tempo para fazer diversas críticas a atual gestão, algo inevitável diante dos problemas que a educação municipal enfrenta.
O evento acontecido na UFT nos deu a clareza de como é o perfil e nível dos candidatos. Claro que as regras eleitorais não são tão exigentes, e os candidatos não precisam saber de tudo. Na verdade, não precisam saber de nada. Mas enquanto candidatos e diante do povo, eles têm o dever de estarem à altura da responsabilidade que exige um cargo de prefeito e de vereador. Parece que a maioria dos candidatos não se preocupa em estudar as questões que envolvem a cidade para refletir soluções reais e concretas. Tudo que é feito no processo eleitoral, nada mais é do que uma incessante e ávida busca pela oportunidade de gerir os recursos do município. As necessidades da cidade ficam em segundo plano para muito deles. Esta é uma análise do ponto de vista das falas dos candidatos, dos seus discursos, da retórica e de tudo que apresentaram no evento.
É evidente que uns se sobressaíram a outros, e quem participou pôde tirar suas conclusões. Dizer quem foi o melhor é uma tarefa subjetiva, e para ser justo seria preciso analisar um por um e comparar as propostas. Eu como eleitor, tirei minhas conclusões, mesmo tendo a certeza de que não são os candidatos ideais, possivelmente votarei em um deles.
Em se tratando dos programas de governo apresentados por todos os candidatos, e disponíveis no site do TRE, no quesito educação, é visível que existem programas melhores que outros. No plano de governo do candidato Paulinho, sequer, consta a palavra educação, consequentemente não há nenhuma proposta para este tema, tanto é, que o candidato foi o que menos usou do tempo para falar de suas proposições. O candidato Eurivaldo elenca várias proposições relevantes para educação do município, mas deixa de fora, propostas específicas para os professores. Já o plano de governo da candidata Leolinda aponta algumas proposições, mas de maneira muito superficial. O candidato Roberlan Cokim faz uma extensa lista de proposições para a educação em seu plano de governo, e é o único a incluir a reestruturação do plano de cargos e carreiras dos professores e a democratização do processo para escolha dos diretores das escolas. E por último, o candidato Professor Ednaldo, escreveu em seu plano uma breve proposição para a educação, mas omitiu várias questões importantes que poderia propor.
É importante que cada cidadão, por si mesmo, verifique o plano de governo de cada candidato, que avalie suas propostas, que busque informações sobre como se portam os mesmos e que veja o discurso de cada um dos elegíveis, para que então, munidos de elementos substanciais façam sua escolha, ou nenhuma.
Apensar da minha crítica, desejo ao futuro gestor boa sorte e que faça um bom mandato. Espero que honre os votos de seus eleitores e daqueles que não o elegeram, espero que governe para todos os munícipes sem distinção alguma e que seja transparente e democrático em sua gestão.
Giano Guimarães

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