segunda-feira, 20 de junho de 2016

Dia do Cinema Nacional: um olhar sob as formas de assistir, produzir e ensinar cinema

Mais do que imagens em movimento, o cinema conquista multidões através de roteiros elaborados, técnicas de filmagem, edição, trilha sonora, e outras magias. Estes aspectos perpassam o entretenimento, para também gerar reflexão e crítica social. No cenário brasileiro, as produções são marcadas por uma perspectiva cultural, e em celebração a estas, no dia 19 de junho, comemora-se o Dia do Cinema Nacional. 
De acordo com o professor Sérgio Soares, o cinema brasileiro vem tomando um espaço quantitativamente interessante baseando-se em duas coisas. Primeiro, produções comerciais com formato, narrativas e elenco de TV. Em seguida, a insistência no chamado “favela movie”, que é a estética da violência e da pobreza urbanas, coisa que lá fora logo é identificada como Brasil. À margem dessas duas linhas, se faz um cinema mais criativo e significativo, só que sem maiores espaços nas salas de cinema.

Com o intuito de diversificar as produções nacionais e dar mais visibilidade ao material que está fora do eixo Rio-São Paulo, hoje, é possível contar com algumas políticas de incentivo. "Acho que a gente tá no momento de regionalização. Com os investimentos do Fundo Setorial de Audiovisual (FSA/Ministério da Cultura) e os arranjos regionais dando substância pra esses editais", explica o produtor audiovisual, André Araújo. 


O cinema também pode ser estimulado na sala de aula. Para o professor Sérgio isso seria uma forma de educar o olhar. "Expor as pessoas a outro cinema, uma arte desconhecida, é a possibilidade de despertar novas sensibilidades, curiosidades. É convidar as pessoas a depois elas próprias terem o desafio de buscar filmes fora do senso comum. Isso vale para cinema brasileiro e todos os outros infinitos cinemas desconhecidos do grande público", destaca.

Em alguns câmpus da Universidade Federal do Tocantins (UFT) existem iniciativas como os cineclubes, nos quais a comunidade tem a oportunidade de assistir e debater sobre a temática em questão. "A discussão sobre a produção de filmes brasileiros é fundamental. É preciso passar mais filmes nacionais e estabelecer discussões sobre o porquê dessas produções serem pouco vistas", compartilha o coordenador do cineclube do Câmpus de Arraias, João Nunes.

No Câmpus de Tocantinópolis, a programação do cineclube é montada anualmente, sendo que algumas datas já são pré-definidas para filmes nacionais, como o Dia da Independência, Dia Nacional da Consciência Negra e entre outros. "Os debates dos filmes nacionais são ótimos para que possamos refletir sobre várias problemáticas nacionais, ou mesmo regionais. O cinema brasileiro faz discussões que tenham foco em nossas realidades", completa o coordenador do cineclube do Câmpus de Tocantinópolis, João Batista.

Produção local

Em 2014, estreou o primeiro longa metragem tocantinense exibido em sala comercial, o "Palmas eu gosto de tu". O filme apresenta seis histórias de seis diretores, e foi contemplado pelo Programa Municipal de Incentivo à cultura (Promic). André Araújo também é um dos diretores da obra, e comenta que desde 2011 a equipe tinha como meta estrear em sala comercial e chegar a 5 mil espectadores, sendo que e os dois objetivos foram alcançados.

“A região norte não tem uma tradição relacionada a produção cinematográfica. Isso é bacana também, trilhar esse caminho e abrir as porteiras são passos que estamos dando com muito orgulho”, comemora André.

Confira o trailer aqui 

Fonte: uft.edu.br - por Daniel dos Santos

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